terça-feira, 9 de outubro de 2012

degas.fotografia.pintura.esfera de luz.memória

desde o começo da experiência com ernesto bonato algo que nos acompanhou foi o registro através da fotografia. esse registro, tanto presente nas palestras de powerpoint de ernesto sobre suas experiências anteriores, quanto presente no registro das atividades do ateiliê, nos possibilitou estabelecer uma linha bem clara das ideias e meios que ele tinha para nos levar a um lugar especial, que nos instalamos e vivemos agora, uma condição possibilitada pelo fazer.
 é interessante observar que a fotografia registra instantes bem específicos, e, se utilizada com frequência, mostra a passagem do tempo, como um stop motion prolongado. pudemos ver nosso avanço e a mutação física, das pessoas e do espaço do ateliê. o mesmo ocorre em grande escala com a cidade, quando vemos os arquivos fotográficos antigos, documentos preciosos à memória de uma população. 
bom, essa importância de registro da passagem do tempo, coisa misteriosamente rica, vem atrelada à beleza intrínseca do fazer uma imagem.

   Num fluxo contínuo um momento é congelado, um instante preciso, que,                separado desse fluxo, revela por vezes a essência de seu movimento, a disposição de   suas partes. Esse congelamento da luz na placa sensível é um ato secundário, sendo sua fonte a visão, o olho. Mas ainda assim é primário enquanto ato do fazer e qundo, depois, é mostrado - o olho se encaixa no no olho da lente, e indica o que vai ser gravado pela luz na prata. mas outro olho (de quem vê a imagem "já pronta") vai ver a impressão {ampliação - foto}. - Todo este ato de registro então, pode - e é - interessante, por isso, e gera imagens belas, se se alinhar à beleza desse fluxo-fonte. 
 
Está aí, ao meu ver, uma das mágicas da imagem. Essa reflexão a respeito da fotografia nos levaà uma segunda reflexão: sobre qualquer imagem feita. Obviamente não é só a fotografia que registra a passagem do tempo, a pintura condensa por vezes em uma só imagem infinitos momentos, pois é um registro direto do corpo - da visão, do olho, do tato, do olfato, enfim, do sentidos, da sensação -  através do corpo - idem -  do homem, que percebe ao mesmo tempo mil momentos e tenta registra-los, compreende-los e depois mostrar o fruto de sua busca: a imagem. Pois essa busca pode ser interna, e a pintura permite o registro dessa viagem por dentro, enquanto a fotografia nos dá as projeções da luz nos espaços exteriores - o que também não significa que as imagens produzidas pela luz não são registros internos, pelo contrário, mas por aí vamos à loucura, preciso ter algum foco.


Edgar Degas, A família Bellini, 1858-67, óleo sobre tela, 200 x 250 cm, Musée Dorsay, Paris.







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